17.1.09

15.1.09

Segunda-feira de mãos dadas com a morte


SEGUNDA-FEIRA DE MÃOS DADAS COM A MORTE


Um toque. Um simples e leve toque, uma mão. Duas mãos juntam-se macabramente no meio do asfalto. Pálida, a mão atarefada e viajante desliza pelo ar. Pára de rompante frente ao desconhecido de uma mão engelhada, horrorosamente negra. Poderosa e arrogante, a mão negra profere palavras, injúrias. Bruxaria barata, que intimida mas nada faz. Embora a mão negra tivesse parado no meio da multidão, a mão pálida decidiu desprezar e continuar o seu caminho, não deixando que a outra lhe fitasse seus olhos pejados de ódio, raiva e medo. Afastada da desconhecida mão mistério, sente-se a morrer… como se toda a negridão presente naquela mão tivesse passado para si, todo a Morte existente naquela mão se apoderasse de si.

Inês Mateus nº 26 12ºC

À ESPERA

À ESPERA


Imprudente,

Sai…

A caminho de nenhures.

Pelo Outono despida…

Aquece-se numa sombra

Enquanto espera

E desespera

Por um sinal,

De alguém…

Talvez de ninguém

Talvez do seu eco.

Presa,

Dentro de quatro paredes imaginárias

Solta uma lágrima,

Que logo inunda a sua alma.

Situação precária,

Interminável…

Descontrolável,

Situação imaginária.


Inês Mateus nº 26 12ºC