SEGUNDA-FEIRA DE MÃOS DADAS COM A MORTE
Um toque. Um simples e leve toque, uma mão. Duas mãos juntam-se macabramente no meio do asfalto. Pálida, a mão atarefada e viajante desliza pelo ar. Pára de rompante frente ao desconhecido de uma mão engelhada, horrorosamente negra. Poderosa e arrogante, a mão negra profere palavras, injúrias. Bruxaria barata, que intimida mas nada faz. Embora a mão negra tivesse parado no meio da multidão, a mão pálida decidiu desprezar e continuar o seu caminho, não deixando que a outra lhe fitasse seus olhos pejados de ódio, raiva e medo. Afastada da desconhecida mão mistério, sente-se a morrer… como se toda a negridão presente naquela mão tivesse passado para si, todo a Morte existente naquela mão se apoderasse de si.
Inês Mateus nº 26 12ºC
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